Quarta ponte em Florianópolis depende de iniciativa da bancada federal

A viabilidade de uma quarta ponte entre a Ilha de Santa Catarina, onde está a sede de Florianópolis, e o continente ainda depende de gesto dos deputados catarinenses em Brasília para incluir obra nas previsões orçamentárias do próximo ano.

A quarta ligação foi proposta pelo superintendente do DNIT DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) em Santa Catarina, Ronaldo Carioni Barbosa, após o órgão dar início a liberação de pistas da primeira etapa da requalificação da Via Expressa (BR-282). O anúncio foi feito na quinta, no lançamento da Frente Parlamentar da Infraestrutura, na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina).

O superintendente afirmou que ainda não há um projeto específico, mas sim uma intenção de parceria com o governo do Estado. “Nós temos conhecimentos de que haveria outros projetos, mas isso ainda precisa ser estudado. O que existe é uma intenção do DNIT abrir um canal de diálogo com o governo do Estado e com as bancadas estadual e federal para quem sabe prever esse recurso no orçamento de 2020”, afirmou.

Nesta sexta (5) foi liberada a primeira pista sentido Ilha BR-101, com um trecho de 4,8 quilômetros. O trecho no sentido contrário deverá ser entregue no dia 15 de abril. O projeto de requalificação completa da Via Expressa, segundo Carioni, pode ser comprometido se não houver meios de escoar o fluxo em direção à Capital.

“Teremos oito pistas desembocando nas quatro da ponte Pedro Ivo. Nós teremos uma via rápida que chega no ponto de estrangulamento. A ponte é o funil”, disse.
A primeira etapa da obra custou, custou R$ 26 milhões. Já o projeto completo está orçado em R$ 500 milhões. Esse valor não inclui a possível nova ponte.

Apesar de ainda não ser uma proposta final, Carioni sugere que a quarta possa ficar exatamente entre a Colombo Salles e Pedro Ivo, se conectando com a Via Expressa já requalificada.

Projeto precisa ser incluído no orçamento da União
Carioni diz que não é nenhuma novidade a dificuldade de caixa que os governos federal e estadual enfrentam, mas aposta que após a reforma da Previdência, e com o apoio da bancada catarinense na Alesc e em Brasília.

“Nós estamos buscando o diálogo e se possível intermediar um acordo entre o governo estadual e federal.  Eu estive na Comissão de Transporte assistindo o debate sobre a reforma das pontes Pedro Ivo e Colombo Salles e acredito que este é o momento para tratarmos desse assunto”, disse o superintendente.

No lançamento da Frente Parlamentar, o presidente do colegiado, deputado Valdir Cobalchini (MDB), disse que o objetivo do grupo é buscar soluções para as principais questões da área em Santa Catarina. A Frente pretende dialogar com a sociedade e com o governo a fim de tratar dos setores aeroviário, marítimo, ferroviário, rodoviário e de energia.

Dados levantados pela Frente mostram que atualmente existem 49 obras de infraestrutura no Estado com investimentos da ordem de R$ 6,2 bilhões. Dessas obras, 59% estão com andamento comprometido e 27% com prazo expirado.

Proposta não é novidade

Essa não é a primeira vez que se anuncia intenção de uma quarta ponte de ligação à Ilha de Santa Catarina. Em 2011, durante a gestão de Raimundo Colombo (PSD), o governo chegou a apresentar um projeto arquitetônico de ligação entre a Beira-Mar Norte e a Via Expressa Continental. Na época, o projeto custaria algo em torno de R$ 1,1 bilhão, mas acabou não tendo o apoio e financiamento necessário para sair do papel.

Uma engenheira catarinense formada pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) sugeriu a construção de ilhas artificiais, ligadas por duas pontes integradas com túnel, entre Santo Antônio de Lisboa e a região de Barreiros, em São José.

Em 2013, um outro projeto, encomendado pela iniciativa privada, previa além da quarta ponte uma nova pista sobre a Baía Norte, com marina com 2.100 vagas de barcos e bolsões de estacionamento para até mil carros. Esse projeto previa investimentos da iniciativa privada com a obra da quarta ponte paga pelo poder público.

Corredor entre a Ilha e a BR-101

O projeto de requalificação completa da Via Expressa vai criar um corredor de fluxo entre as pontes e a BR-101. Segundo Carioni, a obra voltará a dar velocidade aos veículos que chegam e saem de Florianópolis, mas que pode acabar sendo comprometido se não encontrar o número de vias necessárias para cruzar o canal.

O estudo para realização da obra aponta que mais de 100 mil carros fazem esse trajeto diariamente e que em 20 anos o número de veículos diário deve ser três vezes maior. Foram realizados diversos estudos, considerando custo da obra, tempo de execução, interferência no tráfego e impacto ambiental.

O projeto, com 5,2 quilômetros de extensão, prevê a divisão do tráfego em três grupos. O tráfego local vai utilizar as vias marginais que contarão com calçadas, ciclovias e espaço para serviços públicos. As faixas centrais serão destinadas ao uso exclusivo para o transporte coletivo. E as faixas principais atenderão os veículos leves de longa distância.

O investimento total é de R$ 500 milhões e devido as dificuldades para se obter toda a verba de uma vez, o DNIT optou por executar a obra por etapas.

A Primeira etapa contempla exatamente a terceira faixa, com obras inclusive nos viadutos, que está em fase de conclusão. Essa obra dará as condições necessárias para a construção do corredor exclusivo de ônibus, no canteiro central, e a conclusão com a liberação das vias rápidas.

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