Bailarinos cegos têm aula especial de balé na Escola Bolshoi de Joinville

Alunos são de escola de dança composta apenas por deficientes visuais. Bailarinos aprendem passos por meio do toque.

02.10.2019

Bailarinos de uma escola de dança de São Paulo composta apenas por cegos tiveram uma aula especial de balé na Escola do Teatro Bolshoi em Joinville, no Norte de Santa Catarina, nesta terça-feira (1º). Eles aprendem os passos por meio do toque.

Na aula desta terça, não houve espelho para buscar referências. "A gente usa o espelho realmente como uma ferramenta para se corrigir ou para olhar algum movimento que a gente não entendeu direito", explica a aluna do Bolshoi Clara Maia.

Porém, quando bailarinos não enxergam, a confiança é a ferramenta capaz de criar sincronia. "A gente confia na pessoa que está do nosso lado para poder falar o passo, para poder explicar para a gente, poder passar e a gente entender também", diz a bailarina Jéssica Lacerda Cordeira.

Outra participante da aula especial foi Geisa Pereira, que perdeu a visão aos 9 anos. Mas a professora insistiu que seria possível aprender balé assim mesmo.

"Ela me convidou e eu falei assim: 'como eu vou conseguir fazer movimentos tão bonitos iguais aos que eu vi na televisão'? Aí ela falou para eu acreditar no meu sonho. Se isso era a minha vontade, para eu seguir em frente", diz Geisa.

Através do toque
Na arte em que a visão se torna essencial para criar movimentos e conhecer o espaço, uma nova metodologia teve que ser criada. Os bailarinos aprendem cada um dos passos à base do toque.

Deitadas no chão, as bailarinas recebem as orientações dos alunos do Bolshoi. A partir disso, eles criam a imagem do movimento mentalmente. "Aqui você encolhe, aqui você estica, mostrar a contagem musical também, que o movimento é contínuo, ele não tem parada. Foi bem diferente", diz a aluna do Bolshoi Luana Lins.

A presidente da Associação de Balé para Cegos, Fernanda Bianchini, explica que "elas criam a memória e a imagem corporal daquilo que a gente precisa na dança. Aquilo que um bailarino tem no espelho, elas têm que fazer mentalmente".

"O que queremos mostrar pro mundo é que inclusão isso, é você se colocar no lugar do outro, dar oportunidades iguais para todos e, principalmente, que todos os seres humanos merecem respeito. Porque somos todos iguais, com limitações diferentes", completa.

Fonte: G1 SC

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