Coronavírus: saiba quais alimentos não podem faltar na quarentena

Arroz, feijão, macarrão, frutas e legumes estão na lista de nutricionista e médica. Não é preciso comprar produtos para mais do que duas semanas

21.03.2020

A quarentena para combater a pandemia do coronavírus pegou muitas famílias de surpresa que, aflitas, correram aos supermercados para comprar alimentos e estocar.

A iniciativa vem deixando prateleiras de muitos estabelecimentos vazias despertando tensão entre a população, mesmo com a declaração de governadores e prefeitos ressaltando que não há necessidade para pânico.

Especialistas ouvidos pelo R7 dão dicas sobre o que comprar e a quantidade necessária para o período de duas semanas, que é o prazo de isolamento para uma pessoa infectada.

A nutricionista Adriana Stavro listou alimentos da cesta básica considerados essenciais para uma família com quatro pessoas.

A primeira atitude a tomar antes de ir ao supermercado é fazer uma lista com tudo o que já tem no armário e na geladeira para saber exatamente o que está faltando.

"Ao fazer a lista, também verifique a validade de todos os produtos que estão no armário e na geladeira. Arroz e óleo costumam sobrar de um mês para o outro, por exemplo. Com a lista em mãos, dá para fazer uma compra sem exageros."

Confira a lista da nutricionista:

No armário:


⦁ 5 kg de arroz
⦁ 3 kg de feijão
⦁ 1 kg de grão de bico ou lentilha (se quiser variar o tipo de grão no período)
⦁ 1 lata de óleo
⦁ 1 lata de azeite
⦁ 2 pacotes de macarrão
⦁ 1 lata de molho de tomate
⦁ Leite (pode ser duas ou três latas de leite em pó)
⦁ 1 kg de pó  de café
⦁ Para variar no café da manhã: pão de forma, farinha de tapioca,  um pacote de aveia e um pacote de granola.

Na geladeira

Queijos, iogurtes, leites. Segundo Adriana, os lácteos, normalmente, têm validade para duas semanas e podem ajudar nesse período.

No freezer

Carnes e legumes congelados.

"É hora de organizar as coisas. Se o freezer for pequeno, retire os produtos das embalagens e coloque em potes menores."

No hortifruti

Adriana recomenda a compra de todas as frutas ricas em vitamina C para superar esta fase:
⦁ Abacaxi
⦁ Laranja
⦁ Limão
⦁ Maracujá

"Essas frutas têm boa durabilidade. Chegam a durar uma semana ou mais. Outra opção é comprar polpa congelada."

Adriana afirma que as frutas vermelhas são ótimas fontes de vitamina, mas não têm muita durabilidade. Na geladeira elas mantém a qualidade e o sabor por  até dois dias.

Outras opções também são maçã e pêra.

Entre os legumes, estão:

⦁ Batata
⦁ Cenoura
⦁ Abóbora.

As folhas - couve, espinafre, repolho, escarola etc - também são fontes de vitaminas e ferro, mas devem ser consumidas logo nos primeiros dias que foram compradas. Outra opção é comprar esses itens congelados.

"A alimentação é apenas um dos itens para nos manter saudáveis nesse período, mas não podemos esquecer que uma boa noite de sono e evitar o estresses também são essenciais. Torne a refeição um momento em família onde todos participam", comenta a nutricionista.

Quais alimentos ajudam a aumentar a imunidade?
A pedido do R7, a médica Dayse Caldeira, especialista em medicina integrada e preventiva, preparou uma lista de alimentos que ajudam a fortalecer a imunidade e com atividade antimicrobiana.

Dayse é conhecida na rede social Instagram por postar vídeos, textos e dicas sobre alimentação saudável, treinos e espiritualidade.Sua página tem 163 mil.

Confira a lista:

⦁ Açaí: a velutina e outros compostos flavonoides, antocianinas e carotenoides do açaí apresentam atividades imunomoduladora, antiinflamatória, antioxidante, analgésica, hepatoprotetora, nefroprotetora, pneumoprotetora, cardioprotetora, antilipêmica, neuroprotetora, antidiabética, antidepressiva, antitumoral, antibacteriana, antifúngica e antiparasitária. A possível atividade antiviral ainda não foi testada.

⦁ Aveia: É fonte de proteínas de alta qualidade, minerais (cálcio e ferro) e vitaminas (B e E) e de dois compostos bioativos importantes: a glucana beta e a avenantramida. A glucana beta é um poderoso composto imunoestimulante e aumenta a resistência contra infecções por bactérias, vírus, fungos e parasitos e a avenantramida possui atividade anti-inflamatória e antioxidante.

⦁ Brócolis: rico em vitaminas (E, C, K, B, A, carotenoides), sais minerais (selênio, cálcio, ferro, zinco) e compostos bioativos com atividades, imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, cardioprotetora, antitumoral, antibacteriana, antifúngica e antiviral (influenza, vírus sincicial respiratório)

⦁ Cúrcuma (açafrão da terra): Seu principal composto ativo, curcumina, apresenta poderosa atividade imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, neuroprotetora, cardioprotetora, nefroprotetora, pneumoprotetora (pulmão), hepatoprotetora, antitumoral, antibacteriana, antifúngica, antiparasitária e antiviral (hepatites B e C, herpes simplex, coxsackie B3, HIV, papiloma, encefalite japonesa e coronavírus SARS-CoV).

⦁ Gengibre: O gingerol e os outros 168 compostos bioativos do gengibre possuem atividades imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, analgésica, neuroprotetora, cardioprotetora, nefroprotetora, pneumoprotetora, gastroprotetora, hepatoprotetora, antitumoral, antibacteriana, antifúngica, antiparasitária e antiviral (hepatite C, dengue e, talvez, COVID-19).

⦁ Linhaça: Os lignanos, principais compostos bioativos da linhaça, apresentam atividade imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, antibacteriana e antifúngica. A herbacetina, outro composto bioativo, possui possível atividade contra o coronavírus MERS-CoV. Para destruir possíveis efeitos tóxicos das sementes de linhaça, é conveniente aquece-las em forno de micro-ondas a 100ºC por 1 minuto antes do consumo.

⦁ Limão: rico em vitaminas (A, B1, B2, B3, B6, B9, C e E), sais minerais (ferro, potássio, cálcio, magnésio, sódio, fósforo, boro, manganês, cobre, flúor, zinco e molibdênio) e compostos bioativos (principalmente na casca: hesperidina, eriocitrina, diosmina e roifolina). O limão possui comprovada ação reguladora da imunidade (imunomoduladora), anti-inflamatória, antioxidante, analgésica, ansiolítica, antialérgica, antibacteriana, antifúngica e antiviral (a roifolina bloqueia a atividade do coronavírus SARS-CoV e a hesperidina e a diosmina têm potencial para atuar sobre o COVID-19). O limão deve ser consumido como suco e sua casca ralada (depois de bem lavadas) usada em vários pratos salgados e doces.

⦁ Kefir: É o leite fermentado no domicílio por uma comunidade complexa de lactobacilos e leveduras probióticas, que produzem seu próprio alimento prebiótico (kefirano). Apresenta potente atividade imunomoduladora (aumenta a imunidade anti-infecciosa, antitumoral, controla alergias, suprime a autoimunidade), anti-inflamatória, antitóxica, antibacteriana, antifúngica e antiviral (hepatite C, HTLV-1, rotavírus, herpesvírus, influenza aviária).

⦁ Mel: Além de rica fonte de vitaminas (B2, B3, B5, B6, B9 e C), sais minerais (potássio, sódio, cálcio, ferro, fósforo e magnésio) e peróxido de hidrogênio (água oxigenada), o mel possui vários compostos bioativo, especialmente quercetina e miricetina, responsáveis por suas atividades imunomoduladora (principalmente imunoestimulante), anti-inflamatória, antioxidante, antidiabética, antibacteriana (inclusive bactérias resistentes a antibióticos), antifúngica (candidíase) e antiviral (rubéola, herpes e vírus respiratório, inclusive o coronavírus MERS-CoV).

⦁ Uva tinta, amendoim: Os dois alimentos têm uma característica em comum: são ricos em resveratrol, um composto bioativo com atividades imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, neuroprotetora, cardioprotetora, nefroprotetora, pneumoprotetora, hepatoprotetora, gastroprotetora, enteroprotetora, enteroprotetora, mioprotetora (músculos), antitumoral, antibacteriana, antifúngica e antiviral (herpes simplex, influenza, varicela-zoster, citomegalovírus, HIV, polioma e coronavírus MERS-CoV). O resveratrol pode ser consumido como suco de uva, vinho tinto, uva passa e, principalmente, farinha de uva, que também é rica em antocianinas das sementes.

Estoque de comida pode afetar pequenos negócios
A corrida desenfreada e sem necessidade aos supemercados pode prejudicar os pequenos negócios de bairros, segundo Bruno Shibata, gerente de gestão estratégica Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo).

"Geralmente a operação das pequenas empresas não é tão escalável como a das grandes e é ajustada para o movimento previsto naquele dia. Se a demanda aumenta de uma hora para a outra, pode gerar o desabastecimento desses estabelecimentos por questões logísticas, já que os fornecedores podem não conseguir dar vazão aos pedidos", comenta.

Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em gestão financeira da FGV (Fundação Getulio Vargas), tem o mesmo posicionamento das autoridades federais, estaduais e municipais: não há motivo para fazer estoque e comprar mais produtos do que o necessário para sobreviver em sete ou oito dias.

"Se as pessoas começarem a comprar desesperadamente e sem necessidade, haverá um problema logístico para os fornecedores abastecerem os supermercados. No caso dos perecíveis, se você comprar demais, ainda pode acabar perdendo o produto", diz Teixeira.

Fonte: R7

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