Continuidade da pandemia pauta debates em sessão ordinária da Alesc

Daniel Conzi/Agencia AL

As várias consequências e facetas da pandemia no estado guiaram os debates na sessão da Assembleia Legislativa de Santa Catarina durante a manhã desta quinta-feira (18). Os parlamentares discutiram a necessidade de vacinação e conscientização da população, bem como uma mudança na gestão do governo federal no enfrentamento ao novo coronavírus, além das consequências dos lockdowns à economia catarinense.

O deputado Padre Pedro Baldissera (PT) abriu o assunto defendendo que somente atitudes conjuntas poderão desencadear um controle da pandemia. “É preciso que existam atitudes por parte de cada um de nós e dos entes federativos. Precisamos somar para sairmos o mais rápido possível dessa situação incômoda”, afirmou. Na opinião dele, além da ampla vacinação, é imprescindível a manutenção do uso de máscaras e álcool em gel e do distanciamento social.

Baldissera comentou ainda sobre a discussão do Projeto de Lei 11/2021, de autoria do governo do Estado, que trata do programa de habitação popular e cria um fundo de recursos voltados ao assunto. “Estou acompanhando a matéria junto com arquitetos e movimentos por moradia. É um tema altamente importante pois temos hoje mais de 200 mil famílias precisando de casa no estado. Além delas, temos mais de 300 mil famílias que vivem em situação precária. E nesse momento de pandemia, no qual se exige isolamento das pesssoas, é uma contradição. O texto está na Comissão de Constituição e Justiça e estamos trabalhando com as entidades e movimentos populares para que a gente possa contribuir e aperfeiçoar a matéria”, contou.

Economia
Representante da região de Blumenau, o deputado Ricardo Alba (PSL) concordou com os colegas sobre a gravidade da doença, que deve ser enfrentada. Por outro lado, ele direcionou o debate para a situação do comércio. “O governo do Estado e as prefeituras receberam recursos para fortalecer as unidades de saúde. Mas foi feito de forma insuficiente, e quem paga a conta hoje é a população catarinense. O governo do Estado e alguns [governos] municipais insistem na determinação do lockdown, como se fechar um estabelecimento comercial fosse parar a contaminação”, destacou.

Na avaliação do parlamentar, a economia de Santa Catarina está definhando. “Fecham o comércio e os ônibus estão lotados! A gente tem que parar com a hipocrisia de penalizar a iniciativa privada com o pretexto de combater a pandemia. Isso criou outra pandemia paralela: a crise da economia”, opinou. Presidente da Comissão de Economia, o deputado Jair Miotto (PSC) informou que a situação da indústria e do comércio será discutida pelo colegiado. “Na próxima quarta-feira vamos ouvir o presidente da Fiesc [Federação das Indústrias de Santa Catarina]”, citou.

Deputado do PP, João Amin criticou que, além dos lockdowns aos finais de semana, os 22 prefeitos da Grande Florianópolis propuseram o fechamento das atividades comerciais das 18h às 6h da manhã durante a semana. “Ainda bem que viram o erro e voltaram atrás. Isso tem que ser aplaudido. Vírus não é vampiro, não ataca só à noite”, comentou. O parlamentar elogiou, por outro lado, a decisão da prefeitura de Criciúma, que prorrogou para novembro o pagamento dos impostos de bares, hotéis e restaurantes. Ele também concordou com a iniciativa de prefeitura de Blumenau, que vai aumentar o salário dos profissionais da linha de frente no setor de saúde.

Amin também questionou informações divulgadas pelo secretário de Estado da Fazenda, Paulo Eli, durante a semana. “O secretário dizer que estamos a pleno vapor, que não temos desemprego e que Santa Catarina não vai precisar de auxílio emergencial. E o governador dizendo que somos exemplo para o Brasil na gestão da pandemia?”, ressaltou. Para o parlamentar a situação é totalmente oposta.

O deputado Neodi Saretta (PT) deu continuidade às questões sobre como a pandemia afetou também a economia. “Apresentei ontem um projeto de lei para garantir auxílio finaceiro emergencial para estabelecimentos que se enquadram no Simples Nacional dentro do ramo de bares, restaurantes e organizadores de eventos e os trabalhadores desse setor”, contou. De acordo com ele, como houve aumento da arrecadação estadual no último ano, há verba para atender essa demanda.

Dados científicos
O deputado Moacir Sopelsa (MDB) lamentou o fato de o Brasil ser o que ele considera como um dos piores no número de vacinados e as opiniões do presidente Jair Bolsonaro sobre medidas de prevenção à Covid-19 e as vacinas. Para o parlamentar, é necessário que o líder maior do país fale a verdade, usando dados científicos sobre a pandemia e dando exemplos do método de enfrentamento da doença. “Quando não se vê definição e orientação dos líderes para que as pessoas acreditem e se conscientizem, as coisas ficam ainda mais difíceis. Chega, por favor, de pouco caso, de não termos definição, precisamos tê-las. A população precisa se conscientizar que a doença está matando”, avaliou.

Também para o deputado Silvio Dreveck (PP) o caminho é se pautar pela orientação científica. “Pois senão cada um vai tomar uma decisão, cada um vai dar sua opinião e não se terá um regramento padrão para todos nós. O fato é que para minimizar o contágio precisamos, cada um de nós temos que dar exemplo como cidadãos. Precisamos e temos obrigação de praticar a orientação científica para nos proteger e proteger o próximo”, assegurou.

Dreveck também criticou as medidas relacionadas à economia. “Diminuir os horários de transporte coletivos é a solução? Pelo contrário! Está aumentando número de usuários dentro dos ônibus. Diminuir parcialmente horário de um supermercado? Vai aumentar o número de pessoas quando for aberto. O nosso sistema bancário diminuiu o número de horas para atender e a quantidade de funcionários para atender os clientes. As filas passaram a ser intermináveis, com pessoas idosas, sob chuva e sol, e não se faz nada”, explicou.

Solução aparente
O deputado Rodrigo Minoto (PDT) afirmou que a única “solução aparente” é a vacina. “Mas não podemos parar a economia. Santa Catarina é um estado forte e os indicadores mostram que os números estão crescendo. Mas precisamos pensar coletivamente”, declarou. Para ele, é necessário criar uma condição de sustentabilidade para as pessoas. “O setor cultural vive da renda do fim de semana, da noite. Temos que unir forças com o Ministério Público, o Tribunal de Justiça, o governo do Estado e a Alesc para encontrar uma saída jurídica, para atender essa demanda reprimida”, citou.

O deputado Kennedy Nunes (PSD) destacou que é sempre crítico ao governo estadual, mas que gostou da reunião entre o governador Carlos Moisés (PSL) com os governadores do Paraná e Rio Grande do Sul no dia anterior. “Foi feita uma parceria entre os três estados para se trabalhar em rede os insumos”, contou. Em caso de uma unidade da federação precisar de cilindros de oxigênio, exemplificou Nunes, os demais que tenham o produto podem ceder. “Isso é de extrema importância, é assim que a gente vai tentar resolver os problemas. Não está na hora de politizar o assunto, de dizer que você é do governo ou do [João] Dória, do Dória ou do Bolsonaro. Não, a gente é da vida. Não tem protagonista nesta história, o eleitor vai saber exterminar quem está politizando com a morte dos outros”, argumentou.

Pós-Covid
A deputada Ada de Luca (MDB) fez uma análise sobre o futuro da sociedade no período pós-pandemia. Ela destacou que estamos vivendo uma nova era. “Temos que nos acostumar com coisas muito ruins para crianças e adolescentes e o trabalho remoto, uma tendência que veio para ficar. Muitos escritórios vão reduzir tamanho e o número de funcionários”, comentou. Na opinião dela, o local de trabalho serão as casas das pessoas, locais que serão cada vez mais tecnológicos. “Na área da educação, a escola nunca mais será a mesma e o modelo híbrido de ensino será tendência permanente, que oferece acessos mais amplo, mas tornará a educação mais cara, exigindo mais tecnologia”, afirmou. Segundo Ada, a certeza é que o Parlamento precisará ser ainda mais atuante, pressionando o Congresso Nacional para garantir estruturas que serão vitais no mundo pós-Covid.

Vacinas
O assunto das vacinas foi retomado pelo deputado Jessé Lopes (PSL), que apresentou dados publicados pela imprensa. Segundo ele, veículos como a CNN Brasil e o jornal The New York Times indicaram que não é uma peculiaridade do Brasil o atraso na vacinação. Ele citou exemplos da Alemanha, Itália e França. “Países desenvolvidos, mas que se somarmos as populações não dão a do Brasil. Não é que nosso presidente seja genocida. Até o New York Times que é contra Bolsonaro diz que o Brasil é, na América Latina, o segundo que mais vacinou até agora”, explicou. Para ele, é válido que os deputados cobrem soluções. “Não podemos deixar de fazer isso, mas vamos trabalhar com dados reais. Sim, a situação é calamitosa, mas não tem falta de prioridade”, garantiu.

Também integrante do PSL, o deputado Sargento Lima disse que respeita a opinião de todos os integrantes da Alesc, mas, para ele, as acusações de suposta omissão do presidente da República não estão corretas. “Quando foi que o presidente proibiu alguém de comprar vacinas? Ele simplesmente estabeleceu uma regra, que era a necessidade de passar pela certificação da Anvisa”, concluiu.

Na opinião do deputado Dr. Vicente Caropreso (PSDB), a compra de vacinas “indiscutivelmente” tem atrasado. “Poderíamos ter mais vacinados e variedade de vacinas. Tudo que está sendo feito pelo governo federal é insuficiente. Por outro lado, tenho recebido como médico, político e cidadão, solicitações de várias cidades para que pudéssemos agilizar a chegada de mais respiradores em hospitais, UPAs e pronto-socorros. O problema não acabou e temos que dar suporte tecnológico para acabar a fila por vagas de UTI, que significa a perda total da dignidade humana. O momento é de ouvir técnicos e gestores em todos os níveis para fazer a sequência do enfrentamento com recursos certos, na hora certa”, avaliou

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