A força da mulher e do empreendedorismo feminino, mesmo prejudicadas pela pandemia

Sebrae Delas Mulher de Negócios, programa do Sebrae/SC voltado à capacitação das mulheres empreendedoras, colabora para o fortalecimento do empreendedorismo feminino no Estado
Lucieli e Isabela – Foto: Bárbara Narde

O Dia Internacional da Mulher representa muito mais do que um momento de comemoração, mas um momento de conscientização, tendo em vista que as mulheres têm ocupado cada vez mais espaço em diversos setores da sociedade, incluindo o mundo dos negócios, antes predominantemente ocupados pelos homens. Ainda existem muitos desafios a serem superados pelas mulheres empreendedoras, e neste momento de incertezas, uma grande parcela delas foi atingida em cheio pelos impactos econômicos causados pelo novo coronavírus.

Um levantamento do Sebrae/SC, com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), mostrou o perfil das empreendedoras brasileiras até o terceiro bimestre de 2020, durante a crise causada pela covid-19. Dos 25,6 milhões de donos de negócios no Brasil, cerca de 8,6 milhões são mulheres, um ponto percentual a menos em comparação com o mesmo período de 2019, representando uma perda de 1,3 milhão de mulheres à frente de um negócio.

Cerca de 355.154 mil negócios liderados por mulheres são de Santa Catarina, o que representa 4% do número total. Um dos exemplos de empresas lideradas por mulheres no Estado, e que foram afetadas pela pandemia, é a Conexão Pandora, localizada na Capital. A empresa oferece um espaço de coworking familiar, voltado para atender mães e suas famílias, permitindo que a mulher possa trabalhar e ficar próxima dos filhos, sem interferir na produtividade. O local tem dois espaços, um onde as mães trabalham, e outro em que há assistência às crianças. Além disso, há um grupo de mães para troca de experiências e participação em cursos, que reúnem o empreendedorismo, autoconhecimento e a maternidade.

Atualmente a Conexão Pandora reúne cerca de 30 famílias, mas desde a sua fundação, em 2016, já passaram pela empresa cerca de 300 famílias. Com a pandemia, as sócias Fernanda Steinbruch Araújo e Lucieli Guero, precisaram se reinventar, e reunindo esforços encontraram no apoio de outras mulheres a chance de manter o espaço ativo, desde janeiro deste ano, como A Mãe Pandora – Associação de mães, amigas e empreendedoras Pandora, para continuar apoiando negócios maternos. “Recebemos muita ajuda e doações para manter a casa. Antes de fecharmos, observamos que nossa empresa já era compartilhada, sempre foi uma rede de ajuda mútua. Aproveitamos essa situação, em que não havia mais como sustentar a empresa, nos reunimos com as mães e transformamos o espaço em uma Associação”, conta Lucieli.

Segundo Fernanda, sempre foi investido muito na ideia de empreendedorismo. “A Conexão Pandora nasceu como um clube de mães, reunindo mulheres que estavam começando a empreender para compartilhar ideias de empreendedorismo durante a maternidade. Sendo uma Associação, todas que fazem parte têm a possibilidade de construir ideias, melhorar seus negócios e continuar se beneficiando da casa, que é um verdadeiro espaço de criação colaborativo”, afirma. 

Mais do que ter o próprio negócio, algumas mulheres começam a empreender pela necessidade de ter outra renda, independência financeira ou tentar conciliar a maternidade com o trabalho. Segundo a pesquisa Globo Transformações Mulheres, a maternidade é uma importante razão para elas escolherem esse caminho, sendo que 75% das empreendedoras decidem ter um negócio após a maternidade, buscando por qualidade de vida e passar mais tempo com os filhos.

Mas nem sempre isso acontece. Fernanda, por exemplo, ressalta que muitas mulheres trazem à tona na Conexão Pandora suas dúvidas sobre o empreendedorismo materno, porque sendo mães, conseguir conciliar atividades da casa, família e empreendedorismo podem não ser uma tarefa fácil. “A forma que as mulheres e mães encontraram de gerar renda e serem produtivas é empreendendo, mas o ato de empreender também pode ser desafiador na hora de conciliar tudo”, alerta.

A Conexão Pandora foi a primeira experiência de Lucieli como mulher empreendedora. Para ela, foi desafiador ser empreendedora, mulher e mãe, ainda mais na pandemia. “É muito difícil conciliar tudo. Mas o que eu percebo é que precisamos de redes de apoio e iniciativas, porque quando temos isso, tudo se torna mais simples e mais fácil”, afirma.

De acordo com um estudo feito pelo IBGE, em 2019 as mulheres dedicaram 10,4 horas por semana a mais que os homens nos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas. Em Santa Catarina, 46% das empreendedoras são chefes de domicílio. Ainda assim, é o Estado em que estão as empreendedoras que mais trabalham horas nos seus negócios, representando 60%.

Antes da pandemia, Lucieli participou de alguns do Programa de Desenvolvimento Sebrae Delas Mulher de Negócios, programa do Sebrae/SC totalmente voltado à capacitação das mulheres empreendedoras. De acordo com Fernanda, cerca de 10 mães, clientes do Conexão Pandora, já estiveram junto ao Sebrae Delas Mulher de Negócios. “São mulheres que já eram empreendedoras ou gostariam de empreender, e sei que elas e seus negócios ganharam muito fazendo parte das capacitações e do movimento”, afirma.

“Nossa missão com o Sebrae Delas Mulher de Negócios é justamente oferecer apoio às mulheres e mães empreendedoras, que desejam empreender ou melhorar a gestão do seu negócio. O Sebrae/SC tem buscado cada vez mais promover iniciativas que fortaleçam o empreendedorismo feminino, caminhando lado a lado das empreendedoras neste momento de crise difícil para o país e o mundo. Apesar de serem as mais prejudicadas, as mulheres também são as mais proativas. Temos certeza que com programas de desenvolvimento, redes de apoio, cursos, consultorias e muita conexão seremos capazes de continuar promovendo a importante trajetória em busca da equidade de gênero no mundo dos negócios”, afirma a gestora do Sebrae Delas Mulher de Negócios, Marina Barbieri.

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