8 formas de atrair e reter talentos em tecnologia

De acordo GeekHunter, em 2020 o número de vagas abertas na área de tecnologia cresceu 310% — para além da contratação, as empresas ainda precisam reter os profissionais cada vez mais requisitados
FunkyFocus por Pixabay

Ao longo do ano passado, o setor de tecnologia foi um dos grandes destaques nas contratações, muito por conta da necessidade de tornar as operações digitais por conta do isolamento e ter um ganho de eficiência e inovação. De acordo com a GeekHunter, empresa de recrutamento especializada na contratação de profissionais de tecnologia, em 2020 o número de vagas abertas na área na plataforma cresceu 310%. Além disso, o setor também é um dos que se recupera rapidamente diante da crise causada pela pandemia.

“Com a necessidade do isolamento social, observamos um crescimento repentino na transformação digital e isso impulsionou ainda mais a demanda por profissionais de tecnologia. Certamente, podemos esperar que as empresas continuem suas buscas por pessoas desenvolvedoras visando introduzir novas e inovadoras tecnologias para melhorar a experiência dos seus clientes”, afirma Tomás Ferrari, CEO e fundador da GeekHunter.

No entanto, apesar do crescente número de novas oportunidades de emprego, a oferta de profissionais qualificados no mercado ainda é menor que a demanda, principalmente por pessoas que possuem mais de dois anos de experiência. “A falta desses colaboradores é o que impulsiona a demanda pela Geek. A procura é crescente e estamos ampliando o recrutamento e seleção de perfis qualificados e de empresas com número de vagas abertas”, informa Ferrari. Atualmente, a plataforma conta com mais de 130 mil profissionais de tecnologia cadastrados e 7,6 mil empresas anunciando vagas.

Para além de contratar, as empresas ainda precisam oferecer benefícios para reter talentos — ainda mais em um cenário de trabalho remoto, em que as barreiras físicas foram rompidas e as organizações podem contratar pessoas de qualquer lugar. Confira ações para retenção de talentos que empresas de tecnologia estão tomando:

  1. Desenvolvimento pessoal

Na Área Central, especialista em tecnologia para gestão de centrais de negócios, as contratações são realizadas com base na cultura, e depois pelas aptidões compatíveis com a função a ser exercida. “Uma pessoa alinhada com a cultura da empresa vai se desenvolver facilmente dentro do que o nosso negócio propõe”, comenta Jonatan da Costa, CEO. Além disso, a empresa está implementando o Plano de Desenvolvimento Pessoal (PDP), com a intenção de dar direcionamentos ao colaborador para sua evolução e jornada dentro da empresa, proporcionar mais conhecimento, desenvolver habilidades e alinhar as expectativas profissionais. Também existe a prática de troca de feedbacks entre líderes e liderados em reuniões 1:1, e uma ferramenta de engajamento para colaboradores — utilizada para celebrar as conquistas da equipe ou do profissional, registro de humor do funcionário no dia e ranking de engajamento com premiações. A Área Central também promove a participação da equipe em eventos e especializações, para que o colaborador perceba o quanto a empresa se preocupa em evoluí-lo, e inseri-lo cada vez mais no ecossistema de tecnologia. “Nós atuamos com discurso e prática de ‘pessoas para pessoas’, e elaboramos ações internas para ter o colaborador motivado ao exercer suas funções e contribuindo no crescimento da empresa”, finaliza Jonatan.

  1. Comprometimento, integração e segurança

A Winker prioriza que todos seus profissionais sejam tratados com a mesma seriedade e importância. Em março de 2020, antes mesmo do primeiro decreto de lockdown, a empresa migrou 100% dos colaboradores para home office. “Foi um desafio o acompanhamento individual, mas com técnicas de benchmarking conseguimos elaborar nosso modelo de aproximação”, explica Nicole Landivar, psicóloga responsável pela área de Gente e Cultura na Winker. Nesse processo, a companhia também providenciou para a equipe as ferramentas necessárias para plena execução do trabalho de casa, como eletrônicos e cadeiras. Após revisar o planejamento de 2020, a Winker comunicou que não haveria desligamentos devido à pandemia e, inclusive, aumentou o quadro de funcionários em 40% durante o ano. Para otimizar a interação do time, são realizadas atividades on-line como gincana virtual, Happy Hour, treinamentos e reuniões mensais com toda a equipe, que podem acompanhar as atividades de cada setor. Outra ação em destaque na empresa é a de encontros quinzenais individuais com a psicóloga para tratar de assuntos livres, incluindo autoconhecimento e enfrentamento da insegurança. “Com esta atividade em prática, foi perceptível uma melhora na autoconfiança”, destaca Nicole.

  1. Valorização dos colaboradores para oportunidades

No Asaas, fintech que oferece um serviço de assistente digital do empreendedor, uma das principais estratégias para retenção de talentos é a valorização dos colaboradores e atenção ao seu momento atual. “Ele está feliz? Quais são os fatores que limitam seu crescimento hoje? Existe um sonho ou ele ainda está na busca de inspiração para planejar seu futuro? A partir dessas respostas, traçamos um plano para que, mês a mês, ele possa entender a sua evolução”, comenta Diego Contezini, Vice-Presidente do Asaas. O acompanhamento acontece por meio de reuniões 1:1 (líder/liderado) quinzenais e encontros periódicos de planejamento profissional. “Quem observa de fora, vê que priorizamos sempre quem é de casa, tanto para lideranças, quanto para movimentos internos. No entanto, essencialmente, não é uma priorização: somente colocamos as pessoas que melhor se encaixam em cada oportunidade”, explica Contezini. Para ajudar o colaborador a encontrar seu caminho, a empresa também conta com cursos internos e uma Central de Conhecimento que reúne todo o saber já produzido no Asaas. “Em uma época onde a retenção de talentos é cada vez mais procurada, ajudar o colaborador a encontrar o seu lugar é a melhor forma de fazer com que ele fique em casa”, complementa o Vice-Presidente da fintech.

  1. Cuide da saúde mental dos colaboradores

Transtornos relacionados à saúde mental de profissionais de diferentes áreas já chamavam a atenção da Organização Mundial de Saúde antes do surgimento da Covid-19. Com as mudanças na rotina de trabalhadores em todo o mundo, devido a pandemia, essa preocupação aumentou, e algumas empresas passaram a olhar com mais atenção para o bem-estar dos funcionários. “Um profissional com a saúde mental em dia tende a estar em melhor equilíbrio com ele e com quem está a sua volta, a ter maior concentração, foco e empenho em atingir os resultados propostos de maneira ágil e precisa”, explica Bárbara Daniel Vieira, gestora de Pessoas na Supero Tecnologia. Por precaução, a empresa aumentou os cuidados com os profissionais no mês seguinte ao início do home office, em março do ano passado. “Enviamos uma pesquisa para saber como estavam. Aqueles que sinalizaram não estar bem, receberam, num contato direto, acolhimento, apoio e indicação de terapeuta, quando necessário. Os gestores aumentaram a frequência das reuniões, para não só acompanhar as atividades e entregas, mas também saber como os profissionais estão”, relata a gestora de Pessoas.

  1. Ofereça benefícios úteis no home office

Colocar o bem-estar das pessoas que trabalham na empresa como prioridade fez a Involves, empresa que desenvolve soluções para gestão de trade marketing, reestruturar o modelo de trabalho e benefícios oferecidos. A Chief People Officer da empresa, Thuany Schutz, explica que, desde o início da pandemia, a Involves adotou o trabalho remoto e adaptou a experiência para a nova realidade. “Quando iniciamos o home office, reorganizamos nossos benefícios e atividades presenciais para o mundo virtual. Além disso, temos conversas periódicas com o time para entender o que faz sentido e o que pode ser alterado”, conta Thuany. Com base nas trocas com a equipe e nas tendências de modelo de trabalho aceleradas pela pandemia, a Involves começou o ano com uma nova experiência, focada em mais flexibilidade, liberdade e poder de escolha para as equipes. A empresa adotou o conceito de “trabalhe de onde quiser”, em que colaboradores poderão trabalhar de qualquer lugar e utilizar os escritórios quando considerarem necessário em um formato parecido com coworking, em que acontece o agendamento para uso das estações de trabalho. Os benefícios também foram revistos, com adoção de um cartão de benefícios flexível e a criação de um benefício para lazer e bem-estar.

  1. Esteja atento às necessidades dos colaboradores

Logo no início da pandemia, a Kyte, startup global que oferece uma plataforma mobile de vendas e gestão para pequenos negócios, deixou seu escritório e adotou um modelo de trabalho totalmente remoto. Já naquele momento, o foco foi se atentar às necessidades dos colaboradores. “Ajudamos os funcionários a criarem um espaço para trabalhar em casa, oferecendo equipamentos, auxílio home office e vale bem-estar”, comenta o CEO, Guilherme Hernandez. A startup também flexibilizou os horários de trabalho e implementou novas rotinas de comunicação, inclusive um happy hour online para manter a integração e conversas 1:1 quinzenais para acompanhamento dos colaboradores. Com essa proximidade, a gestão conseguiu perceber que algumas pessoas estavam tendo dificuldades de se concentrar em casa ou precisavam de um lugar mais silencioso para trabalhar. “Vimos essa necessidade de criar alguns espaços de trabalho alternativos e resolvemos fazer parcerias com coworkings nas cidades onde temos mais colaboradores e, em outros casos, oferecer uma verba para isso”, explicou o CEO da Kyte. Com essa atenção, a startup não perdeu nenhum colaborador desde que foi criada, há três anos.

  1. Acompanhe o time continuamente

Na Pulses, startup que tem soluções de clima organizacional medidos de forma contínua, não é “casa de ferreiro, espeto de pau”: a empresa usa a própria plataforma para ouvir frequentemente seus colaboradores, identificar as causas do desengajamento e promover planos de ação para os pontos que precisam de melhoria. “Ouvir o colaborador é um gesto de acolhimento e de preocupação com o que ele tem a dizer. Quando a empresa toma medidas visíveis com base nos resultados das pesquisas, cria-se uma confiança de que os líderes estão se importando e prezando por uma experiência aliada com a cultura. E isto impacta no senso de pertencimento, propósito e engajamento”, destaca Michelly Dellecave, CMO da Pulses. O resultado é tangível: a empresa tem um baixo índice de turnover.

  1. Ambiente leve, cuidados com a saúde e flexibilização de benefícios

Na Stoque, empresa de soluções tecnológicas focada em automação inteligente e digitalização de processos e documentos, há uma preocupação muito grande com o bem-estar dos colaboradores. A companhia lançou em 2020 um Guia de Cultura para direcionar a jornada de cada pessoa com o propósito de mostrar valor na trajetória profissional e engajar as equipes. “A intenção é que o funcionário entenda que ele tem uma jornada dentro da empresa, construída de forma colaborativa, com autonomia e em um ambiente leve e flexível”, explica Gabriel Costa Santos, Gerente de Gente e Cultura. Com a pandemia, a Stoque também investiu nos cuidados em saúde e montou uma equipe própria com médico e psicóloga para orientar e prestar atendimento individualizado. Além disso, como boa parte dos funcionários permanecem em home office, a empresa envia boletins semanais informando se há casos de Covid na empresa e quais ações estão sendo realizadas. “É uma forma de ser transparente em relação a esse tema para que ninguém fique com receio ou não tenha acesso às informações”. A empresa também oferece uma série de benefícios, como plano de saúde e odontológico, vale-refeição, orientação psicológica, jurídica e orçamentária online, entre outros, mas que em alguns casos podem ser flexíveis.

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