Boas práticas para gestão de lixo são apresentadas na Alesc

FOTO: Solon Soares/

Histórias de sucesso na gestão de resíduos sólidos foram apresentadas na Assembleia Legislativa nesta sexta-feira (11) durante o Fórum Estadual Lixo Zero. O evento, realizado parte presencialmente sob regras de distanciamento social e parte em modo remoto, reuniu boas práticas que vão representar Santa Catarina em um congresso internacional sobre o assunto, entre 22 e 24 de junho, em Brasília.

O case que abriu a programação foi de Campos Novos, cidade da região Meio Oeste com cerca de 35 mil habitantes. O secretário municipal de Planejamento e Coordenação Geral, Vilmar Antônio Ferrão Júnior, explicou que o projeto “Campos Novos Sustentável” iniciou em 2017, foi remodelado no ano seguinte e colocado em prática a partir de 2019. “A temática ambiental é de suma importância para o futuro.”

Já nos primeiros dias de gestão, a atual administração precisou recuperar o local onde o lixo era descartado irregularmente. Para ir além disso, foram criadas práticas que pudessem muito mais do que coletar as 700 toneladas de descartes geradas mensalmente na cidade. De acordo com o secretário, além da destinação correta de eletrônicos, pneus, remédios e lixo orgânico, foi iniciado um sistema de compostagem, além da instalação de pontos de coleta nas escolas.

“Temos 10 containers com 11 tipos de reciclagem, para pilhas, garrafas PET e óleo, entre outros. Eles ficam voltados para a rua, para atender toda a comunidade ao redor. A ideia é que a escola eduque e comunidade leva o resíduo”, contou. Os recursos gerados com a reciclagem ficam para as próprias escolas. “Com a educação do adulto e dos alunos, desde a infância, teremos uma cidade bem diferente daqui 10 a 15 anos”, assegurou.

Com pouco mais de 508 mil moradores, Florianópolis também foi um dos destaques do Fórum.

Ulisses Bianchini, superintendente de gestão de resíduos da capital, relatou que o programa “Floripa Lixo Zero” tem como meta elevar desvio de resíduos do aterro da faixa de 7,15% para 60% de lixo seco e 90% para resíduos orgânicos até 2030. Na opinião dele, a gestão municipal precisa assumir o papel e buscar soluções para a questão ambiental.

“Hoje a média diária é de 600 toneladas, o que dá 18 mil toneladas por mês. Em 2020, cerca de 16 mil toneladas não foram para o aterro sanitário, cujo custo é em torno de R$ 30 milhões por ano”, contou. Com o 7,15% que foi reaproveitado e não direcionado ao aterro, a prefeitura economizou R$ 8 milhões.

Para Bianchini, a meta não é só da prefeitura, é da cidade, das pessoas. “Não adianta a gestão pensar em 2030, colocar equipamentos e ações à disposição se a população não abraçar”, comentou. Entre as ações implementadas, estão a coleta de isopor e os pontos de entrega voluntária de vidro – que representaram duas mil toneladas em 2020. Outro destaque da capital é que os produtos secos coletados são doados para sete associações de triadores, gerando emprego e renda para cerca de 200 famílias.

Incentivos
Promovido pela Federação Catarinense de Municípios (Fecam) e pelo Instituto Lixo Zero Brasil, o evento teve o apoio da Alesc por intermédio do deputado João Amin (PP), que tem as ações voltadas ao meio ambiente como uma das bandeiras do seu mantado. “E um evento desta importância serve de incentivo para outras pessoas, cidades e empresas conhecerem e adotarem medidas em prol da sustentabilidade”, comentou. Segundo Rodrigo Viegas, chefe de gabinete, outro fator de relevância para o Fórum é ampliar a visibilidade para o tema. “O mais importante é ouvir os casos e as pessoas que trazem exemplos”, citou.

Coordenador das Câmaras Técnicas da Fecam, Rodrigo Fachini destacou que a entidade acredita na necessidade de transformar culturas. “E a sustentabilidade nos chama em um momento muito especial, em que o planeta pede por isso. Essa é uma oportunidade de compartilhar conhecimento e democratizar boas práticas. O lixo faz parte do nosso dia a dia. Por isso precisamos de boas práticas para boa gestão dos resíduos”, argumentou.

Luiza Denardin Poleto, consultora do Instituto Lixo Zero Brasil, contou que eventos semelhantes também são realizados em outros estados. De acordo com ela, o nível dos casos “surpreende a cada ano” mesmo com os desafios que os municípios de todos os portes têm no cotidiano. “Muitas vezes com pouco, mas com engajamento, pode se mudar para melhor. A gestão de resíduos sólidos com inovação precisa de empenho, entusiasmo, vontade de fazer diferente para sair do mesmo. Não pode ser só por ser obrigação legal. É um desafio diário”, concluiu.

Casos destaque

Além de Campos Novos e Florianópolis, o Fórum Estadual de Lixo Zero revelou outros cases:

Programa Lixo Orgânico Zero (Lages)

Ecoponto (Timbó)

Distribuição de Sacos Verdes para Coleta Seletiva (Jaraguá do Sul)

Reciclou Levou (Turvo)

Campanha Itajaí de Mares Limpos (Itajaí)

Programa Chapecó Lixo Zero (Chapecó)

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