Covid-19: infectologista esclarece dúvidas sobre a vacinação de crianças

Dra. Silvia Fonseca afirma que a vacina é necessária e segura para a faixa etária entre 5 e 11 anos
Sílvia Fonseca, médica pediatra e infectologista do Sistema Hapvida/Divulgação

O Brasil já recebeu três lotes que integram as 4,3 milhões de doses da vacina da Pfizer contra a Covid-19 previstas para este mês, que devem ser aplicadas em crianças entre cinco e 11 anos. Para fevereiro, a expectativa é que sejam entregues mais 7,2 milhões de doses e, em março, mais 8,4 milhões de imunizantes para o esquema vacinal das crianças, que é composto por duas doses, com intervalo de oito semanas.

A médica pediatra e infectologista do Sistema Hapvida, Sílvia Fonseca, tira as principais dúvidas com relação à vacinação e garante que a vacina é realmente necessária para os pequenos. Confira:

A vacina é realmente necessária para crianças?

“Sim. Apesar de que as crianças, em sua maioria, têm quadros mais leves da infecção pelo SARS-CoV 2, com o passar dos meses destes dois últimos anos pudemos registrar um número expressivo de mortes em crianças também. Além disso, há a síndrome inflamatória multissistêmica (SIM), uma condição grave que necessita de hospitalização e, muitas vezes, Unidade de Terapia Intensiva. No Brasil, de abril de 2020 a 27 de novembro de 2021, foram notificados 1.412 casos confirmados de SIM temporalmente associada à Covid-19 em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, sendo que 85 evoluíram para óbito (letalidade de 6%).

Ainda não sabemos quantas crianças desenvolveram Covid longa, que é a manutenção de sintomas após quatro semanas da infecção aguda; estes sintomas podem variar de febre, cansaço, falta de concentração e falta de ar. E como a pandemia não dá tréguas, principalmente com o surgimento periódico de novas variantes muito transmissíveis, nossos pequenos estão em risco de terem Covid grave e Covid longa.

Outro aspecto importante é que as crianças, mesmo pouco sintomáticas ou assintomáticas, podem transmitir a infecção para pessoas com fatores de risco (por exemplo, avós e bisavós), perpetuando o sofrimento das famílias. Além disso, a vacinação da faixa etária entre cinco e 11 anos vai proteger as crianças menores que não podem receber a vacina e vai permitir que as crianças não fiquem doentes e possam participar da escola e demais atividades, tão importantes para o desenvolvimento das crianças.”

A vacina é realmente segura para crianças?


“Sim. Antes das vacinas serem liberadas para crianças nos Estados Unidos, testes rigorosos de segurança foram feitos com a vacina da Pfizer envolvendo milhares de crianças. Até agora, estima-se que pelo menos 8 milhões de doses já foram aplicadas em crianças desta faixa etária entre 5 e 11 anos, com efeitos colaterais brandos e nenhuma morte atribuída à vacina. A vacina Coronavac, ainda não liberada para crianças no Brasil, é usada em muitos países, como a China e Chile, que tiveram um efeito excelente na prevenção da doença, sem eventos adversos graves. Uma segunda análise do CDC tornada pública avaliou cerca de 700 hospitalizações por covid-19 entre crianças e adolescentes nos EUA. A principal conclusão foi que entre 77,9% das crianças e adolescentes internados com Covid-19 aguda, apenas 0,4% dos pacientes em idade vacinável tinham recebido o esquema vacinal completo.”

A vacina das crianças vai ser diferente da dos adultos?

“Ela é feita da mesma maneira, usando esta segura tecnologia de ‘RNA mensageiro’, que permite que a vacina nunca se transforme em vírus vivo. Porém, tem doses menores, pois o sistema imune das crianças se mostrou muito eficiente para produzir anticorpos (91% de eficácia), mesmo com uma dose muito menor (cerca de 1/3 menor). Para não ter confusão, o frasco é diferente, com tampa de outra cor, e o Ministério da Saúde propõe locais diferentes para a vacinação das crianças, com agulhas apropriadas para o público infantil.”

A criança pode parar de usar máscara depois de tomar a vacina?  

“Não. Assim como com os adultos, a máscara deve ser usada por todos, acima de dois anos de idade, pois mesmo vacinadas, as crianças ainda podem ter infecção, mesmo que leve, mas transmissível. Importante ressaltar que as vacinas protegem contra a doença que leva à hospitalização, necessidade de oxigênio, CTI e morte, mas não impedem completamente as infecções leves. Enquanto o vírus estiver circulando no mundo, temos que usar todas as barreiras possíveis: vacina, máscara, distanciamento social e álcool em gel.”

A Covid-19 vai acabar um dia?

“Esperamos que sim, mas o mundo todo tem que estar vacinado. Infelizmente, temos notícias de países que ainda não conseguiram imunizar a maioria da sua população e isso propicia uma grande replicação viral nos não vacinados e a possibilidade de variantes cada vez piores. Quando todos estivermos vacinados, a esperança é que sim, que a covid-19 seja apresentada somente em aulas de história.”

Sobre o Sistema Hapvida

Com mais de 7,4 milhões de clientes, o Sistema Hapvida hoje se posiciona como um dos maiores sistemas de saúde suplementar do Brasil, presente em todas as regiões do país, gerando emprego e renda para a sociedade. Fazem parte do Sistema as operadoras do RN Saúde, Medical, Grupo São José Saúde, Grupo Promed, Premium Saúde, além da operadora Hapvida e da healthtech Maida. Atua com mais de 38 mil colaboradores diretos envolvidos na operação, mais de 15 mil médicos e mais de 15 mil dentistas. Os números superlativos mostram o sucesso de uma estratégia baseada na gestão direta da operação e nos constantes investimentos: atualmente são 49 hospitais, 203 clínicas médicas, 49 prontos atendimentos, 176 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial.

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