Será que funciona ?

16.01.2020

Foto: Reprodução

Não gosto que mexam nos meus pertences sem permissão. Talvez, por isso, minha filha tenha vindo com certo receio, me confessar, que folheou um caderno que havia me presenteado no Dia das Mães, em 2016. Disse-me, com um semblante feliz, que ficou surpresa ao ver no que eu transformei o tal presente. 

Não era qualquer caderno; “o mais bonito que eu encontrei” (foi o que ouvi ao ser presenteada). Na capa está o Pequeno Príncipe, que por si só, já traz muito significado, e me foi dado em uma data muito importante. Nada mais justo do que dar um destino especial: virou meu CADERNO DA GRATIDÃO!

A partir daí, tenho anotado coisas simples como: “Obrigada pelo sol!” (que eu amo), até coisas extraordinárias como: “Obrigada pela viagem da minha filha” (que passou uma semana nos EUA, participando de um curso com funcionários da NASA, etc.), ou mais recentemente: “Obrigada pelo presente da minha filha” (uma estrela de verdade no universo agora tem o nome dela, para a eternidade). 

Mas por que estou contando esta história? Deixando um pouco de lado toda a explicação neurocientífica, penso que basta dizer que, quando eu penso em todos os percalços que encontrei no caminho da minha filha para os EUA, ainda me vem emoções e sensações físicas desagradáveis. Mas quando lembro da semana indescritível que vivi enquanto ela estava na NASA e eu “fora de órbita”, as sensações e emoções são completamente diferentes. O mesmo não acontece com você, quando pensa em algo negativo ou positivo? Observe! 

E é neste ponto que ter um CADERNO DA GRATIDÃO ou um POTE DA GRATIDÃO, pode fazer diferença! A diferença entre colocar seu foco no que falta, no que deu errado, etc. ou VALORIZAR o que você tem, as pessoas que fazem diferença no seu dia, na sua vida, nas coisas que deram certo, no que você pode aprender com aquilo que deu errado!

Ano passado, no período em que antecedeu meu aniversário, entrei em uma fase reflexiva que muitos chamam de “inferno astral”. Decidi recorrer ao meu caderno, para confirmar se havia motivos para eu comemorar. Havia, muitos dos quais eu nem recordava mais, e o fato de tê-los anotado me deixou muito feliz, ainda mais, somado às emoções e sensações de relembrar momentos e pessoas especiais. 

Mas o efeito que mais aprecio no meu CADERNO DA GRATIDÃO, é que nos dias ruins, quando me sinto pior, basta esticar meu braço até o criado-mudo ao lado da cama, e começar a escrever um motivo pelo qual sou grata, logo me lembro de outro, e outro (minha meta são 3 motivos por dia, que frequentemente é superada), e quando vejo, já me sinto diferente! Nos dias em que fico mais empolgada, ainda folheio em busca de outras boas lembranças. Não consigo imaginar um “medicamento” melhor, para os meus piores dias.

Cada “obrigado” é como se fosse uma pequena “pílula” de positividade, sem contraindicação. Mas cuidado, pode virar um hábito, e você corre o risco de  começar a enxergar a vida com outros olhos, pois cada dose tem efeito bioquímico no seu cérebro, formando uma espécie de “caminho fisiológico” que quanto mais percorrido, fica cada vez mais fácil de passar; começa como um trilho, podendo se transformar em uma autoestrada. 
Se funciona ? Só tem um jeito de saber!

Fonte: Miriam Pereira

Miriam Pereira

Psicóloga CRP-12/08425
EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento Através de Movimentos Oculares)
Coaching Psychology
Psicologia do Esporte e Preparação Mental
Coordenadora da campanha Janeiro Branco Balneário Camboriú

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