A Adolescência e Seus Desafios em Meio à Pandemia

31.07.2020

Encontre uma posição confortável, feche seus olhos, respire fundo e agora tente se lembrar de quando você entrou na adolescência, aos 13 anos. Como você se sentia, em que você pensava, com o que se ocupava, quais eram suas preocupações, suas expectativas, seus sonhos... você lembra como era ter 14 anos, e como foi quando você completou 15, 16, 17 depois 18? Lembrou ? Sentiu ? Agora imagine uma pandemia naquela época. Abra seus olhos agora e vamos conversar um pouco.

Algumas das características próprias da adolescência são: a necessidade de autoafirmação; a necessidade de aceitação, especialmente por um grupo; a pressão, referente aos estudos e profissão, a um papel social, à conquista de espaço na sociedade. Também é um tempo de muitas descobertas, inclusive sexuais; mudanças físicas, mentais e emocionais.

Agora vamos pensar um pouco a respeito do cenário de pandemia que estamos vivendo, que inclui: tédio, falta de atividade física, distanciamento social, confinamento, excesso de informação, medo e morte.
Algumas das ameaças mais sérias às quais nossos adolescentes estão sujeitos atualmente são:
  1. Redes sociais: de acordo com a pesquisadora americana Jean Twenge, que estuda o comportamento de adolescentes há pelo menos 25 anos, desde 2005 observou-se que eles dormem menos, passam mais tempo online, estão mais infelizes e houve aumento significativo dos suicídios.
  2. Bullying e sua forma virtual, que é um comportamento sistemático de intimidação.
  3. Automutilação: às vezes a dor emocional, a angústia e outras emoções e sentimentos são tão fortes que a dor física causada por este comportamento causa “alívio”. Outras vezes, há uma necessidade de se sentir vivo, etc.
  4. Suicídio: recentemente outro personagem, Jonathan Galindo, “assombrou” crianças e adolescentes, entre outras coisas, incitando-os ao comportamento suicida, que é o limite ao que o ser humano chega na tentativa de acabar com o sofrimento que o assola, muitas vezes, ceifando sua vida, nos casos trágicos.
Gosto de dizer que a mãe é uma peça chave (ou quem exerce este papel) e compará-la à rainha do tabuleiro de xadrez, pois dentro de uma família, desde o início da vida, costuma ser uma das peças de maior influência, para o bem e para o mal, sobretudo na adolescência. De qualquer forma, é importante lembrar que os pais devem exercer sua autoridade. Desde cedo, deixei claro para minha filha, como as coisas funcionam em casa. Ela tem muita liberdade, para muitas coisas, mas quando se trata de uma decisão importante, quem tem a última palavra sou eu, por uma razão muito simples: eu sou responsável por ela, que é menor de idade. Sempre fiz questão que ela soubesse que enquanto eu for legalmente responsável pelos seus atos, quem manda sou eu, simples assim.   
Simplificando, diria sobre a autoridade:
  1. Infância: os pais/responsáveis “ditam” as regras
  2. Adolescência: pais/reponsáveis explicam as regras
  3. Adultos: criam regras
Limites: são extremamente importantes, pois passam a mensagem de amor, segurança, proteção os filhos, de que nos importamos com eles. Ao contrário da permissividade e indiferença, que passam a mensagem de que não são importantes.
Envolva-se: temos cada vez mais filhos de pais ausentes dentro de casa, cada um em seu próprio mundo, e é muitas vezes onde os filhos “se perdem”. Em consequência, muitas vezes os adolescentes buscam formas de “chamar atenção”, com comportamentos diversos e nem sempre bem-vindos. Diante destes, há pelo menos três alternativas possíveis:
  1. Dar atenção: seja de forma postiva ou negativa, tende a perpetuar o comportamento.
  2. Indiferença: ao que é possível ignorar, tende extinguir o comportamento.
  3. Indiferença: também pode acentuar um comportamento caso o adolescente nunca receba atenção.
Atitudes simples podem fazer toda diferença, tais como:
  1. Limitar o uso de eletrônicos a 2h por dia, é uma das sugestões da Dra. Jean, e podem evitar casos de vício em eletrônicos, por exemplo, cada dia mais frequentes.
  2. Realizar videochamadas, com familiares e amigos, para minimizar os efeitos negativos à saúde relacionados ao estresse e ao isolamento social durante a pandemia mantendo-se conectado com os outros.
  3. Tempo: crie o hábito de passar pelo menos 15 minutos, diariamente, dando atenção integral ao seu/sua filho(a). Este esforço diário “não tem preço”, você certamente colherá seus “frutos” à médio e longo prazos. Na verdade deve marcar suas vidas para sempre.
  4. Invista em abraços de no mínimo 20 segundos. Este é o mínimo de tempo que nosso corpo precisa para liberar o “quarteto da felicidade” (quatro hormônios: ocitocina (hormônio do amor), dopamina (do prazer), serotonina (bem-estar) e endorfinas (aliviam a dor). O Melhor de tudo são os efeitos, tanto para quem abraça quanto para quem é abraçado, além de inúmeros outros benefícios.
  5. Diário: o papel aceita tudo, use-o para expressar tudo que estiver sentindo e pensando, para extravasar, desabafar. Escrever ajuda a organizar ideias e emoções. Além disso, é um ótimo presente para os filhos. Meninos por exemplo, podem ter um Diário de Bordo, que tal ?
Certamente é um desafio para pais, mães e responsáveis lidar com as  peculiaridades da fase da adolescência. Lembre-se que se hoje você tem um filho na faixa etária entre 13 e 18 anos, você já foi um. É uma fase especial, em que há desenvolvimento e amadurecimento e estar próximo pode tornar este período enriquecedor para pais e filhos. Ouvir da minha filha que conversar com sua melhor amiga e comigo é libertador, não tem preço! Ser amigo do seu filho(a) pode impedir que encontrem em outras amizades o que não tem em casa, e protegê-los de muitos dos nossos piores “pesadelos”. Pense nisso!

Fonte: Miriam Pereira

Miriam Pereira

Psicóloga CRP-12/08425
EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento Através de Movimentos Oculares)
Coaching Psychology
Psicologia do Esporte e Preparação Mental
Coordenadora da campanha Janeiro Branco Balneário Camboriú

VOltar ao Topo

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Envie sua notícia

47992624189

© 2019 SANTA CATARINA NEWS. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.
Livre reprodução, transmissão ou redistribuição dos conteúdos sem edição. Pede-se a citação do crédito.

Site desenvolvido por: