Políticos: plantam ou cortam árvores?

29.05.2019

POLÍTICA:  A origem da palavra vem de ‘Polis’ que significa ‘Cidade’, que para o povo grego era visto ou imaginado como um lugar sagrado, feliz e seguro. Por consequência – no imaginário consolidado – o político era aquele  nobre cidadão com a sublime missão de zelar daquele espaço em benefício exclusivo dos seus moradores - com direito a felicidade. Pura utopia. 

LENHADOR  O conceito grego  do político contrasta com a visão tupiniquim do escritor Guimarães Rosa (‘Grande Sertão: Veredas’)  que magistralmente assim definiu o político: “ ...O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidade. Eu penso na ressurreição do homem. Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar arvores. Uma árvore leva anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.” 

POLÍTICOS  Aqui, em Serra Talhada, Uganda, Teerã e Paris, a política é vista como chance de ascensão social. Não ‘é a profissão mais honesta’  como disse aquele ex-presidente da república que cumpre pena em Curitiba por corrupção. A política pode ser definida como uma geradora de regras que garantam mandatos aos seus agentes; muitos  sem espaço profissional no mercado daqui de fora. 

QUANTO  mais tempo o agente político embrenha-se na selva utópica da política, mais dificuldades terá de readaptar-se num eventual retorno. Ora! No poder as regras são generosas, inversas ao ‘sereno’ das ruas  sem as bênçãos do apadrinhamento. Recomeçar na iniciativa privada é  mais desafiante do que o teste das urnas. Pesam o estigma político e a urgência da atualização devido a evolução de conceitos e praticas da atividade anterior ao mandato, seja ela qual for.  

DELÍRIOS  Há exceções – claro! Mas de uma forma geral ouço certas manifestações de ex-poderosos em’ tentar voltar’ como mero exercício fantasioso -  como  quem teima em  ensaiar passos após o final da música. Como tudo na vida hoje, também na política o descarte tende a ser ainda mais rápido e sucessivo. Não há mais a figura do insubstituível. Na morte, as lembranças acabam na missa de 7º Dia.


MEMÓRIA  Candidato a deputado federal em 1962, na Bahia - João Dória (pai do  governador paulista João Dória Jr.) fazia campanha rica e ganhou o apelido de ‘João Dólar’. Deputado, teve atritos com seu colega Antonio Carlos Magalhães. Em 1964, foi Ulysses Guimarães quem o ajudou a entrar na embaixada da Tchecoslováquia  e se exilar em Paris com a família – sobrevivendo com a venda das telas das pinturas retiradas das molduras na casa de Salvador.  

COERÊNCIA Dele não se poderia esperar outra postura! Cumprindo aquilo que prometeu o deputado Fabio Trad (PSD) votando no sentido de que o COAF ficasse com o Ministério da Justiça e justificou: “ O objetivo do COAF é produzir inteligência financeira para detectar indícios de lavagem de dinheiro e terrorismo – que são dois crimes que tem que ficar com o Ministério da Justiça.” Esse honra a advocacia!

VINGANÇA contra o preso pobre e sem qualificação profissional que contraria os artigos 41 e 126 da Lei 7.210/1984 (de Execuções Penais).É o que se depreende do fantasioso projeto do ex-senador Waldemir Moka (MDB), com substitutivo da senadora Soraya  Thronicke (PSL), que foi aprovado ingenuamente pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado. 

O PROJETO  mostra  desconhecimento da realidade prisional. Quantos presídios tem condições de oferecer trabalho remunerado ao preso? Dalí o pobre sairá doente, sem qualificação profissional e com uma dívida junto à União que irá executá-lo judicialmente. Os dois autores  aderiram ao populismo que não ajudará na ressocialização do preso. Espera-se que o plenário do Senado barre esse projeto absurdo. Ao final restará o Presidente da República e o STF. 

A coluna é publicada simultaneamente em 28 sites e jornais

Fonte: Manoel Afonso

Manoel Afonso

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