O real tamanho do PSL

18.09.2019

Foto: Terceiro / Agência O Globo

Após as eleições de 2018 o PSL, partido reconhecidamente nanico, protagonizou a maior ascensão da história partidária brasileira. Saiu da eleição vitorioso, esbanjando vigor e ostentando um caminhão de votos. Tal ascensão não tem nenhuma relação com planejamento e organização partidária.

A principal e talvez única razão dessa mudança de patamar foi o efeito Jair Bolsonaro. O Presidente chegou ao partido com a pretensão de disputar as eleições presidenciais, mas nem de longe o PSL era sua primeira opção. Bolsonaro precisava de um partido que fosse fiel a seus mandos e ideias e acabou se filiando ao partido que lhe exigiu menos. Recheado de políticos sem qualquer envergadura política, inexperiente e acostumado com as migalhas do republicanismo nacional o PSL, ou pelo menos sua cúpula, sabia do enorme desafio de se equilibrar entre a vaidade, a habilidade e principalmente a fidelidade de seus eleitos. Nenhum partido político está pronto para crescer dessa forma. O nicho de candidatos eleitos pelo partido é muito heterogêneo e vai de conservadores á liberais (que tiveram que esconder suas convicções no discurso radical de Bolsonaro), civis, militares, técnicos, políticos de ocasião, empresários, juristas e claro, muitos oportunistas. Todo esse enorme cisma ficou por ora adormecido em nome da eleição de Bolsonaro e na crença de seu efeito reboque, afinal de contas muitos desses candidatos sabiam que ao colar sua imagem no Presidente acumulariam capital político.

A verdade é que um ano depois do processo eleitoral de 2018 o partido já não é mais o mesmo. Um verdadeiro processo de “seleção natural” tem colocado o PSL em severas crises internas e principalmente lança no partido uma enorme dúvida para as eleições municipais de 2020. Vale a pena receber novos surfistas para continuar surfando a tal onda Bolsonaro? A cúpula do partido aposta que o Presidente continuará sendo trampolim para muita gente e quer se cercar de cuidados para evitar oportunismos que possam abrir ainda mais as feridas não cicatrizadas das eleições passadas.

Carlos Moisés, Alexandre Frota, Janaína Paschoal, Gustavo Bebiano e Senador Major Olimpio são apenas alguns dos nomes que alçaram projeção nacional nessa onda e que saíram ou caminham para a saída do partido. O início de 2020 deve ser intenso nesse movimento de migração de siglas e certamente perdas e ganhos no partido serão contabilizadas e com toda certeza, bem acima da média de outras siglas partidárias.

A verdade é que o PSL vem trabalhando numa cartilha de princípios com vistas às eleições municipais, o partido quer usar a medida para enfrentar um dilema: como buscar quadros competitivos para eleger mais prefeitos em 2020 sem desaguar numa filiação desenfreada de pessoas com pouco ou nenhum alinhamento com a legenda. Além de “filtrar” novos filiados, o objetivo é ter um instrumento para “enquadrar” os que não seguirem à risca as diretrizes do partido.
 
A avaliação interna é que muitos filiados pegaram carona na popularidade de Bolsonaro nas eleições de 2018, ou são remanescentes de quando o PSL era um partido nanico e não estão comprometidos com as atuais bandeiras da sigla. Nesses casos, a edição da cartilha será um caminho para desfiliações. Diretórios estaduais também buscam reduzir problemas na próxima eleição, como divisões internas e discursos erráticos. Dono da maior fatia do fundo partidário e do segundo maior tempo no horário eleitoral, o PSL tem sido visto como alternativa eleitoral por potenciais candidatos.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o partido foi o que mais cresceu desde outubro de 2018, quando terminou a disputa presidencial. O assédio tem inspirado cautela em dirigentes regionais, que esperam a edição da cartilha no seu formato final para replicá-la nos estados. Um deputado do partido que não quis se identificar disse a esse colunista que o PSL não ser um elefante branco, atrapalhado e desengonçado na sala de estar e lembrou-se das mazelas do antigo PRN de Collor. Hoje inexistente. O exemplo é mais do que providencial.

Fonte: Helle Borges

Helle Borges

Historiador, radialista em Itapema e comentarista político 

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