O Buraco do PSL

09.10.2019

Foto: Ilustração/Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) tornou pública nesta terça-feira (08) uma crise com o comando do partido pelo qual se elegeu no ano passado. Ele também está mal com o presidente nacional da legenda, o deputado federal Luciano Bivar (PE). Segundo pessoas ligadas ao presidente da República, congressistas da sigla e assessores, a irritação de Bolsonaro se deve a uma disputa pelo controle do PSL e ao controle dos R$ 103 milhões que o partido receberá do Fundo Partidário ao longo de 2019. O mandato atual de Bivar termina em novembro deste ano, e ele preside a sigla desde 1998, quando o PSL obteve o registro na Justiça Eleitoral.

O grupo próximo ao presidente diz que ele quer "refundar" a legenda, melhorando as práticas de transparência e combate e adesão a políticas contra a corrupção. Já congressistas ligados a Bivar agora acusam o grupo do presidente de agir de forma autoritária e de desejar o controle total do PSL. 
A crise ficou pública na manhã de terça-feira (08/10), quando Bolsonaro foi abordado por um jovem simpatizante de Recife (PE), em frente ao Palácio da Alvorada. O garoto diz a Bolsonaro que é filiado ao PSL em Recife e pede para gravar um vídeo.

A verdade é que o PSL nunca teve em suas pretensões ser de fato um partido grande e nem estava preparado para isso. A reboque da figura poderosa e onipresente do Presidente Jair Messias Bolsonaro o partido se catapultou como segundo maior partido brasileiro dentro do Congresso Nacional e de quebra é dono de uma fatia milionário de fundo partidário e do cotão eleitoral. Cisões internas, presença de políticos desalinhados com os anseios da direção do partido, graves denúncias de uso de laranjas nas eleições passadas, vaidade de celebridades eleitorais e principalmente a falta de estrutura e mentalidade partidária são eventos recorrentes nesse curto estrelato do partido. Bolsonaro entende que é maior do que o Partido e não está disposto a carregar esse fardo nas costas. Os problemas do partido são exatamente a celeuma que Bolsonaro se propôs combater na incipiente e combalida política nacional. As feridas estão abertas e consequentemente se acenam no horizonte duas possibilidades: Bolsonaro sai do partido e transforma o PSL no nanico que sempre foi ou cadencia uma troca em massa da Executiva Nacional do Partido dando uma nova cara a sigla.

Em se tratando de Bolsonaro nada no momento parece um porto seguro. Deputados eleitos pelo PSL já dão sinais de que abandonaram o barco e nem negam que já existe articulação nos bastidores para a formação de um novo partido que abrigue Bolsonaro e sua trupe. O próprio Bolsonaro acena com a possibilidade de deixar a Sigla e se encaminhar para outro partido. Integrantes dos diretórios estaduais e municipais estão de cabelo em pé. A maioria das articulações estão paradas e em compasso de espera. A força do PSL é duvidosa em pleitos municipais sem o respaldo do Presidente da República. 

A fala do presidente repercutiu no Congresso ao longo do dia, e os congressistas do PSL que falaram sobre o assunto se mostraram surpresos. "Só posso dizer que fiquei perplexo. Não sei qual é a motivação. O presidente pode esclarecer a manifestação dele. Eu conversei com o Bivar e o (deputado federal pelo PSL-PB) Julian (Lemos) e estou tentando falar com o ministro (Luiz Eduardo) Ramos (Secretaria de Governo) para saber qual o sentido ou intenção. Nenhum de nós sabe", disse o líder do partido no Senado, Major Olímpio (SP).

As últimas informações dão conta de que Bolsonaro pode ingressar na nova UDN. O militante de extrema-direita Marcus Alves, fundador e presidente União Democrática Nacional (UDN), declarou nesta terça-feira (8) que a sigla está pronta para receber o presidente Jair Bolsonaro e os políticos que integram o clã familiar.

O dirigente tem conversado com interlocutores do governo Jair Bolsonaro sobre uma possível transição para o futuro partido. “Estamos de braços abertos para a família Bolsonaro”, disse Alves em entrevista ao jornal Estado de São Paulo.

Fonte: Helle Borges

Helle Borges

Historiador, radialista em Itapema e comentarista político 

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