Governar é diferente de fazer campanha

13.08.2019

Foto: Reprodução

Imagem ilustrativa

É bem verdade que o povo catarinense praticamente não conhecia o Comandante Carlos Moisés há um ano atrás. O PSL encontrou o atual Governador do Estado de SC aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo. Fora convidado para ingressar no partido em abril de 2018 e a ideia inicial era assumir o comando municipal da sigla em tubarão. Uma divergência o trouxe ao departamento de finanças do Diretório Estadual em Florianópolis. Com desenvoltura foi conquistando os quadros partidários e acabou escolhido como candidato ao Governo, três dias antes do fim da inscrição das chapas. Não existia plano de governo e as limitações financeiras da campanha não permitiu que suas ideias chegassem ao grande público. Foi eleito na esteira de Bolsonaro. Do pouco que foi dito em campanha talvez a frase de maior intensidade tenha sido: “No meu governo não haverá aumento de impostos”.

A pergunta que fica é: Cortar subsídios não representa, mesmo que de forma indireta, aumentar tributos? É essa a pergunta que muitos setores da economia catarinense têm feito ao governador através da bancada de Deputados Estaduais. O PL 236 que prorroga até 31 de agosto os benefícios fiscais vêm patinando na casa desde o início do novo mandato e tudo indica que deve ser alterado em seu mérito e prazos em novas rodadas de negociação entre o governo e o parlamento. Moisés admite voltar atrás em pelo menos dois setores: Construção Civil e tarifas públicas, mas não pretende ceder à pressão da bancada do Oeste pela manutenção dos subsídios aos defensivos agrícolas (nome romantizado para agrotóxicos e pesticidas). Ele entende que nesse caso a discussão deve se dar no mérito do uso e não apenas no impacto na economia. Tem dito a pessoas próximas que nesse sentido caminha em relação oposta ao Governo Bolsonaro e que cuidar da saúde das pessoas deve ser a prerrogativa básica em situações como essa. Essa semana sete entidades reunidas no Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina enviaram oficio ao governador apelando para que cancele o reajuste de 17% da alíquota do ICMS sobre os defensivos agrícolas. A pergunta é: Moisés suportará a pressão?

Em BC 2020 já começou?
Se não foi orquestrado pareceu. Na semana passada Evaldo Hoffmann, morador de Balneário Camboriú, foi promovido a Coronel da Policia Militar de SC e falou abertamente em sua posse sobre seus planos para o futuro. No horizonte ser Comandante Geral da Corporação ou aceitar o convite de Carlos Moisés para ser o candidato do Governador a Prefeitura de Balneário Camboriú. A crença é que a onda PSL varra agora municípios e faça do partido o campeão no quesito número de prefeituras em SC. Quem não gostou nada da história e já mapeava os movimentos de Moisés era o Prefeito Fabrício Oliveira. Candidatíssimo à reeleição foi para o contra-ataque e anunciou mudanças significativas na gestão do Hospital Ruth Cardoso. O hospital que atende as demandas de toda a região está sufocado pelo custo mensal de R$ 5 milhões bancados quase que exclusivamente pelo município de BC. Buscando retomar sua concepção original elaborada em 2006, Fabrício anunciou que o hospital funcionará de forma portões fechados, atendendo apenas pacientes encaminhados de postos de saúde e UBS do município de balneário, podendo também atender pacientes de convênios e particulares. A terceirização parece um caminho sem volta. A verdade é que a prefeitura de BC solicitou ao governo aporte mensal de dois milhões para custear as despesas do hospital e manter o formato atual. O Governo Moisés não respondeu e agora enfrentará a pressão de municípios da região por uma solução para a falta de hospitais de média e alta complexidade na região. Numa primeira análise Florianópolis e Itajaí devem ser as cidades mais impactadas com o “fechamento de portas do Ruth”. Mais uma vez a capacidade de Moisés será testada.
 
Millôr Fernandes e o amadorismo
“A diferença fundamental entre Direita e Esquerda é que a Direita acredita cegamente em tudo que lhe ensinaram, e a Esquerda acredita cegamente em tudo que ensina. ”
Bobo é quem acha que esse conceito vale alguma coisa em se tratando de política municipal.

Fonte: Helle Borges

Helle Borges

Historiador, radialista em Itapema e comentarista político 

VOltar ao Topo

Envie sua notícia

(47) 99262-4189

© 2019 SANTA CATARINA NEWS. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.
Livre reprodução, transmissão ou redistribuição dos conteúdos sem edição. Pede-se a citação do crédito.

Site desenvolvido por: