A paz por um fio

22.10.2019

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O Presidente Jair Messias Bolsonaro aposta que as duas semanas em que ficará afastado da Presidência por conta de viagens diplomáticas oficiais, serão importantes para que seu grupo e o PSL cheguem a um acordo que permita um período de paz, pelo menos, até as eleições do ano que vem. Por mais que as últimas declarações do Presidente sejam amenas e busquem um caminho para a “cura” das cicatrizes, o clima permanece tenso no partido. A ferida sobre a liderança do partido no Congresso está aberta e certamente ainda trará tensões. Na manhã desta segunda-feira (21) uma nova lista com 29 assinaturas foi entregue ao Presidente da Câmara Rodrigo Maia com o pedido de substituição da liderança do Partido na casa. O Número 2, Eduardo Bolsonaro, foi catapultado por essa lista para a condição de Líder do Partido no congresso. Certamente, o grupo liderado por Luciano Bivar, Presidente Nacional do PSL e do Delegado Waldir, ex-líder do PSL, fará retaliações, seja nas votações importantes do Congresso e até mesmo na articulação das várias comissões. Um dia antes Eduardo abriu o verbo nas redes sociais. Em live, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) defendeu seu pai, o presidente Jair, atacou a colega deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), e voltou a argumentar sobre as investigações acerca de laranjas em seu partido. Isso em sequência à crise pela qual passa o PSL e também à notícia de que a sigla estuda suspendê-lo e levá-lo ao comitê de ética da agremiação. No vídeo, Eduardo cita o pedido do presidente Jair Bolsonaro para que um apoiador “esquecesse” o PSL, desatrelando seu nome ao do “queimado” Bivar – Luciano Bivar, presidente da sigla. Ele ainda fala de ações do deputado federal Delegado Waldir (PSL-GO), outro membro do grupo rival à ala bolsonarista, e de atitudes que teriam sido tomadas por seu pai para realizar uma auditoria na legenda, em função da crise do laranjal. Ainda em defesa do pai disse “O Bolsonaro ficou 30 anos naquele meio promíscuo. Pelo amor de Deus, cuidado com essas pegadinhas. As pessoas estão com mania de achar que são mais inteligentes que o presidente. O Bolsonaro é um craque. Bolsonaro elegeu 50 pessoas que eram desconhecidas da população. Se elegeu sem gastar R$ 1 milhão (o custo declarado da campanha presidencial foi de R$ 2,5 milhões). Ficou 30 anos no meio da sacanagem sem se envolver em escândalo (…) está fazendo um projeto pro Brasil e o partido dele dentro da Câmara tá indo contra o presidente”. Os 29 deputados que assinaram a nova lista apoiando Eduardo Bolsonaro como líder do PSL na Câmara foram: Alê Silva, Aline Sleutjes, Bia Kicis, Bibo Nunes, Carla Zambelli, Carlos Jordy, Caroline de Toni, Chris Tonietto, Coronel Armando, Coronel Chrisóstomo, Daniel Silveira, Daniel Freitas, Eduardo Bolsonaro, Enéias Reis, Filipe Barros, General Girão, General Peternelli, Guiga Peixoto, Helio Lopes, Junio Amaral, Leo Motta, Luiz Lima, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, Luiz Ovando, Marcelo Brum, Marcio Labre, Ricardo Pericar, Sanderson e Vitor Hugo. Mesmo após grande desgaste, emplacar Eduardo é uma grande vitória da ala pesselista pró Bolsonaro.

“Moisés é de esquerda”
A FRASE acima tem sido repetida à exaustão pela ala mais conservadora do PSL no Estado de Santa Catarina. Ana Campagnolo, Jessé Lopes e o Sargento Lima não concordam com a forma “progressista” de Carlos Moisés na condução do governo. Isso porque Moisés, decidiu criar uma regra pela qual o ICMS pode variar dependendo do volume de agrotóxicos usado por agricultores – o uso restrito desses produtos garantiria alíquotas menores do imposto. A “tributação verde”, que vai na contramão de ações recentes do governo federal na área ambiental, tem causado atritos entre o governador e os setores bolsonaristas que o ajudaram a ser eleito.

Em carta, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), setor que representa 30% da economia local, afirma que a medida “leva pânico” ao setor e é “reflexo da ignorância” de Moisés, que agiria de acordo com suas “pueris convicções pessoais”. “Esse discurso é próprio de quem nunca colocou o pé na zona rural, não tem a mínima noção do que vem a ser a atividade agrícola”, afirma a Faesc. O empresário catarinense Luciano Hang, um dos mais próximos colaboradores de Bolsonaro, foi às redes sociais para comparar a política de Moisés às políticas dos partidos de esquerda. “Não faltava mais nada. Ideologias de esquerda sendo implantadas no Estado mais liberal do Brasil. Os catarinenses votaram no verde-amarelo e estão vendo nascer o vermelho em Santa Catarina? Parecem políticas do PSOL ou do PCdoB”

Fonte: Helle Borges

Helle Borges

Historiador, radialista em Itapema e comentarista político 

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