A Insanidade tomou conta da política

24.09.2019

Foto: Reprodução da internet

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O momento da política nacional é deveras preocupante, vazio e decepcionante. O país continua dividido, polarizado e tem encontrado muitas dificuldades para construir uma pauta universal que alcance a todos sem distinção de ideologia ou partido político. Como historiador posso afirmar que esse é o momento mais tenso da política nacional nos últimos 50 anos. Os tempos de hoje se equivalem em densidade com os fatos e acontecimentos que culminaram no Golpe Militar de 1964. O presente, porém, com todas as suas novas formas de comunicação amplifica as tensões que antes só eram de fato dimensionadas por quem vivia a política por dentro de suas entranhas. Sempre se soube que a política é um espaço de confabulações e negociatas que envolve o ético e o não ético, o republicano e o não republicano, um jogo de xadrez onde a trapaça é sempre uma alternativa e o despertar de ódios ou paixões uma tática superlativa. Nos prenúncios do Golpe Militar de 1964 o suicídio de um Presidente popular, uma mudança de Capital da República, um projeto ousado de desenvolvimento nacional, graves denúncias de corrupção, a renúncia de um Presidente eleito por maioria esmagadora dos votos, um golpe parlamentar no congresso e a deposição de um Presidente de fato e direito assombraram o país e culminaram na polarização do nós contra eles, de direita versus esquerda e de um abismo aterrorizante entre as diferenças.

Também como historiador não me cabe o ofício de prever o futuro ou de realizar exercícios de imaginação para antever o pior ou o melhor mas posso comparar os presentes. A primeira constatação é óbvia: Falta republicanismo ao Presidente Jair Messias Bolsonaro. Não se governa apenas para um núcleo duro ou para um eleitor fiel e o capitão da reserva do Exército Brasileiro parece não entender a dimensão do seu cargo. É fato que o Brasil não precisava mais das práticas corruptas e manipuladores do PT, mas também não precisa do ódio, da vaidade e da insanidade eleitoreira para governar. E não se trata de fazer nova política. Nomear o filho embaixador, numa clara ofensa à Constituição, fritar seus ministros publicamente, intervir de forma desajeitada nos órgãos de justiça e na Polícia Federal não fazem de Bolsonaro um mártir ou um salvador. Isso é política de bairro. É rasteiro.

Do outro lado a oposição se afunda em suas convicções arcaicas do Século XIX. Os novos comunistas parecem não entender que os tempos são outros e que é preciso reconhecer as falhas da esquerda para se reconstruir. A esquerda perdeu sua oportunidade histórica de caminhar rumo a uma nova forma de pensar. A esquerdopatia tornou doentes àqueles que veem no presidiário Lula a salvação do País e aguardam ansiosamente pelo dia em que o dono do tríplex e do sítio de Atibaia sairá da cadeia e liderará as massas contra o que chamam de golpe. Balela. Parte dessa insanidade política deve ser sim creditada nas costas de Lula e de seus bonecos de ventríloquo. Na era PT o país foi aparelhado para a prática cotidiana da corrupção e só não vê isso quem faz da insanidade política seu habitat. Bolsonaro é fruto da megalomania do petismo.

Já dizia Lima Barreto “O Brasil não tem povo, tem plateia”. Essa frase pensada há mais de um século nunca teve tanto sentido. A razão está estacionada no tempo e o que reina são as emoções pobres e fragmentadas de uma sociedade carente de boas práticas na vida comum e na política. Bolsonaro despertou no povo brasileiro uma faceta neopopulista, fascista, preconceituosa e opressora, já o petismo contribui diariamente para defendermos a supremacia ideológica, vaidosa, radical e corrupta de projetos partidários de poder que se aparelham do Estado para sugar e drenar para seus companheiros as riquezas nacionais. E o pior acham que esse é o preço do desenvolvimento e da diminuição da desigualdade. Defendem o indefensável e fazem sua militância agir como o ratinho correndo na esteira. Uma análise racional e equilibrada do momento se faz urgente e absolutamente necessária. Certamente o momento carece de cuidados. Cultura e política são inseparáveis. Mas o tempo da cultura é diferente do tempo da política. Por isso a política precisa ser pensada a longo prazo, e a cultura precisa incorporar a vibração, o entusiasmo e mesmo o desespero da política. Unidas, cultura e política geram uma energia de potencial atômico que pode dizimar qualquer golpismo e clarear os tempos mais obscuros.

Fonte: Helle Borges

Helle Borges

Historiador, radialista em Itapema e comentarista político 

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