Personagens Tóxicos

12.05.2019

Foto: Reprodução

Tenho recebido muitos convites para festas e lançamentos de livros. Evito. Temo encontrar nesses lugares pessoas tóxicas. A simples presença desses personagens cria um ambiente aborrecido. Volto pra casa contrariado.

Essas figuras estão ali apenas para ver, ouvir, interagir, e depois espalhar boatos que sua fértil imaginação ditou. O compromisso com a verdade é zero. Penso que reuniões sociais são uma ótima oportunidade de interação humana. Mas com o advento das redes sociais a participação presencial perdeu valor em si. O sujeito participa apenas para fazer selfie, postar e fofocar.

Sou uma persona analógica. As coisas físicas ainda exercem sobre mim um imenso poder de atração. Gosto de ler jornais e revistas de papel. Gosto de sentir o peso dos livros. Se aparece textos interessantes na internet imprimo para ler sobre a mesa. Só acompanho noticiário na tela do computador porque não há como negar que informação instantânea é mais eficiente do que a do dia seguinte.

Trabalho com jovens. Aliás, na equipe a que pertenço tenho a idade para ser o pai de todos e todas. É divertido, inclusive do ponto de vista antropológico. Acho a moçada digital mais criativa e solta do que a minha. A ideologia é menos arraigada. O papo é mais direto. É uma outra sensibilidade. Tenho aprendido muito, mesmo porque a minha cultura livresca não compete com a deles, mas juntamos-nos com esforço para vivermos felizes juntos e misturados. Já nas esferas ditas "intelectuais", com forte vezo acadêmico, há o componente da vaidade, uma espécie de pavoneamento artificial que pega o pior dos defeitos burgueses e mistura com uma dança em que a hipocrisia tenta fazer do vício uma virtude.

Sinto que o convívio social está mudando. Outro dia entrei em uma pizzaria e me deparei com uma imensa mesa repleta de convivas de um aniversariante que não conhecia. Parecia uma festa da firma. Todos - literalmente - estavam de olho no celular e ninguém conversava com ninguém. Todos isolados em seus mundos particulares, trocando mensagens com pessoas distantes. Tem gente que acha isso absurdo.

De minha parte, não acho nada, apenas um fenômeno dos novos tempos. Será sempre assim? Não sei. Nem quero saber... 

Fonte: Dante Filho

Dante Filho

Jornalista e escritor. Atuo há 38 anos na imprensa sul-mato-grossense. Já fui assessor de imprensa do Governo do Estado e do Senado Federal. Escrevo ensaios, contos e poemas. Publiquei livros. Fui repórter e editor de jornais. Gosto de polêmicas. Liberdade de opinião e de expressão é minha missão. Acredito que jornalismo é análise e questionamento de todo e qualquer poder. O resto é secos & molhados.

E-mail: [email protected]

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