Meu amor de mar

29.05.2019

Foto: (Tela:Marina Maia)

Meu pai não era meu pai. Meu pai era outro. Minha mãe casou-se com ele quando estava grávida. Ele tinha três filhos. Era viúvo. Meu pai mesmo nem eu nem ela conhecemos. 

Na verdade meu pai nunca existiu. Minha mãe uma vez me contou que, no revellion de 68, saiu andando na praia sozinha depois de beber muito. Quase amanhecendo sentou-se na areia e desmaiou. 

Mais tarde, dia claro, acordou e tomou um banho de mar. Dias depois descobriu que estava me esperando. Ela acha que eu vim nas ondas do mar como uma sementinha que entrou dentro dela e assim foi fecundada. 

Meu pai e meus irmãos não acreditavam nessa história. Por isso, eles tinham um ódio visceral do amor de minha mãe por mim, dos mimos que ela me fazia, da atenção que me dava, dos laços que tínhamos com o mar. 

Minha mãe amava o mar. Minha mãe me amava. E meu pai achava que éramos loucos.

Fonte: Dante Filho

Dante Filho

Jornalista e escritor. Atuo há 38 anos na imprensa sul-mato-grossense. Já fui assessor de imprensa do Governo do Estado e do Senado Federal. Escrevo ensaios, contos e poemas. Publiquei livros. Fui repórter e editor de jornais. Gosto de polêmicas. Liberdade de opinião e de expressão é minha missão. Acredito que jornalismo é análise e questionamento de todo e qualquer poder. O resto é secos & molhados.

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